Uma hora de entrevista
Gravamos a conversa com quem fica na linha de frente. Sai de lá a lista de dúvidas repetidas, com as palavras do cliente.
Publicar sem calendário é escrever três vezes o mesmo assunto e nenhuma vez o que o cliente perguntou na semana passada.
A redação nasceu dentro de uma gráfica, escrevendo o informativo mensal que ia junto com a nota fiscal. Eram quatro páginas por mês e nenhuma pauta escrita: o assunto se decidia na quarta-feira, com a máquina já parada esperando.
O primeiro calendário foi desenhado para acabar com isso. Doze semanas numa folha quadriculada, um assunto por linha, o nome de quem entrevista ao lado. Naquele trimestre saíram onze textos no dia combinado e nenhum atrasou por falta de tema.
A entrevista gravada entrou depois, quando ficou claro que o texto escrito de cabeça sempre precisava de duas rodadas a mais de conserto. Perguntar antes custa uma hora; consertar depois custa a semana inteira.
Hoje o serviço é o mesmo, com uma diferença: a lista de assuntos pertence ao cliente desde o primeiro dia e sai da nossa mão em planilha aberta, com título, data, autor e situação de cada linha.

Uma hora de entrevista vale duas semanas de conserto.
Assunto sem data combinada não conta como pauta.
Conteúdo e português passam separados, nunca juntos.
Pauta, textos e assinantes ficam em nome de quem paga.
Toda semana alguém da sua casa responde à mesma pergunta por telefone. Essa pergunta já é um artigo; falta escrever. É daí que a pauta sai, e por isso ela começa com uma entrevista e não com uma reunião de ideias.
Gravamos a conversa com quem fica na linha de frente. Sai de lá a lista de dúvidas repetidas, com as palavras do cliente.
Cada dúvida vira uma linha com título provisório, formato e mês. A lista fica com você para cortar e acrescentar.
Os assuntos ganham data, autor e revisor. Assunto sem data combinada não entra na conta do mês.
Quem escreve não inventa caso nem número: volta à entrevista, e o que faltar vira pergunta por escrito.
Uma de conteúdo, feita por quem conhece o assunto na sua casa, e outra de português, feita aqui.
Cada artigo rende um boletim curto e três recortes para os perfis da casa, escritos enquanto o assunto está fresco.
Depoimentos de quem fechou pelo menos um trimestre de calendário.
O revisor devolveu o meu texto com nove perguntas. Sete eu não sabia responder, e essa foi a parte útil.
O boletim só vai para quem marcou a caixinha. Meu telefone parou de tocar com gente pedindo para sair da lista.
Eles gravaram uma hora comigo no campo e escreveram quatro textos daquilo. Eu achava que não tinha assunto.
Os recortes para o perfil vêm prontos no mesmo dia do artigo. É o que eu menos tinha tempo de fazer.
O calendário me obrigou a decidir o assunto com antecedência. Isso é chato e é o que fez a coisa andar.
Devolvemos três títulos possíveis e a data em que cada um poderia ser publicado, sem compromisso de fechar nada.